Muitas pessoas tem receio de abrir contas e aplicar o seu dinheiro em bancos de menor porte com medo que essa instituição venha a quebrar e o correntista perca todo o seu dinheiro, porém poucos sabem que existe uma entidade privada sem fins lucrativos (www.fgc.org.br) que administra um mecanismo de proteção ao correntista, poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos em instituição financeira, em caso de falência ou de sua liquidação, atualmente esse fundo garante até R$70.000,00 (setenta mil reais) (www.fgc.org.br/?ci_menu=20&conteudo=1) por depositante ou aplicador, independentemente do valor total e da distribuição em diferentes formas de depósito e aplicação.
Isso significa que se fosse tiver menos de 70 mil reais aplicado em uma instituição financeira (Dentro dos créditos garantidos *** Ver lista abaixo***) e essa vier a ser liquidada ou pedir falência, você não perdera o dinheiro aplicado, obviamente o dinheiro não ficara disponível imediatamente existe toda a burocracia para a recuperação do mesmo, mas por experiência própria o dinheiro é recuperado integralmente até R$70 mil.
Eu sempre investi em CDB´s de bancos menores me utilizando dessa garantia, sempre com menos de 70 mil por CPF, você pode abrir uma conta para você outra para sua esposa e filhos por exemplo, e cada uma estará garantida em até R$70.000, existe boas oportunidades de investimento nos bancos de médio porte que geralmente eles tem mais dificuldade de captar dinheiro e por isso pagam mais por seus CDB´s , que por sua vez estão dentro dos créditos garantidos pelo FGC, alem dos CDB´s são garantidos:
- depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio; - depósitos em contas-correntes de depósito para investimento; - depósitos de poupança; - depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB); - depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheque destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares; - letras de câmbio; - letras imobiliárias; - letras hipotecárias; - letras de crédito imobiliário.Como podemos perceber na lista acima fundos de investimentos financeiros não tem garantia do FGC o argumento é que o patrimônio dos bancos não se confunde com o patrimônio dos fundos de investimento financeiro que eles administram. Por isso, quando o banco enfrenta problemas, os aplicadores nos fundos podem fazer assembléias e mudar a administração do fundo para outra instituição. Assim, é desnecessária a cobertura dos recursos dos fundos pelo FGC, pois esses recursos não costumam ser atingidos por eventuais dificuldades das instituições.
Para maiores informações sobre o Fundo Garantidor de Credito visite a página oficial da Instituição www.fgc.org.br
, é uma página bem feita com informação bem clara e de fácil compreensão, inclusive demonstrando alguns cálculos de limite de cobertura nos casos em que o investidor tiver mais de R$70.000 investidos em uma mesma instituição, que no caso de um pequeno investidor não é indicado.
Os títulos do Tesouro direto vem ganhando popularidade dia a dia como opção de investimento para o Brasileiro, o primeiro semestre desse ano as suas vendas subiram 82%. Pensando nisso o Radar Financeiro desenvolveu um guia sobre investimentos em títulos de renda fixa, exploraremos na primeira parte os conceitos chaves associados a investimentos em títulos de renda fixa, na segunda parte analisaremos os riscos associados a esse tipo de investimento e para finalizar analisaremos cada tipo de título disponível no tesouro direto em relação aos conceitos chaves e riscos associados a cada tipo.
Parte 1 – Conceitos Chave****Temas que o investidor tem dominar para evitar erros na hora de investir ****
- Indexadores
São os índices que irão determinar a rentabilidade de um título pós fixado, no caso dos títulos disponíveis no tesouro direto podem ser de 2 tipos. Indexados a inflação (IGP-M e IPCA) ou a taxa de juros básica da economia (Selic). O preço dos títulos indexados a esses índices vão variar de acordo com as expectativas em relação a mudanças nos mesmos.
- Pré Fixado
Um título que não possui indexador, como o nome diz a rentabilidade é determinada na hora da compra, o investidor tem a noção do retorno do título se carregá-lo até a data de vencimento.
- Pós Fixado
Um título que possui um indexador que determinara o rendimento do mesmo somente no final da aplicação, o rendimento será determinado pela variação do índice mais uma taxa de juros determinada na hora da compra (se for o caso)
- Cupom
O investidor recebe um fluxo de dinheiro periódico baseado em uma taxa de juros característica do título. No caso dos títulos disponíveis no Tesouro Direto elas são semestrais.
- Data de Vencimento
A data em que o título deixa de existir e o investidor recebe de volta o valor principal investido mais a rentabilidade devida
- Resgate Antecipado
Esse é um conceito que engana muitos investidores iniciantes em títulos de renda fixa. Todos os rendimentos de um título de renda fixa são calculados baseados na premissa que o título será mantido na carteira até a data de vencimento, caso exista a necessidade de se vender o título antes dessa data (resgate antecipado) o rendimento do mesmo título pode ser diferente do divulgado na data da compra podendo até causar uma perda do valor principal investido.
Parte 2 – Riscos associados ao Investimento em Títulos do Tesouro Direto- Risco da Taxa de Juros ou Risco de Mercado
O preço de um título mudará em sentido oposto ao de uma mudança nas taxas de juros: á medida que as taxas de juros sobem o preço de um bônus cai e vice e versa.
- Risco de Reinvestimento
Este e o risco presentes nos títulos que pagam cupons, ele se caracteriza pela possibilidade de o dinheiro recebido semestralmente ter que ser reinvestido a uma taxa menor do que a disponível na data da compra, o que acarretara em um rendimento menor do que o anteriormente previsto.
- Risco de Resgate Antecipado
Como já mencionado é o risco de que o investidor por algum motivo tenha que se desfazer do título antes da data de vencimento, nesse caso o mercado pode ter passado por situações desfavoráveis as características do bônus fazendo com que o preço de mercado tenha caído e o investidor perca parte do principal investido.
- Risco de Inadimplência ou Risco de Default
É o risco de que o emissor do título (nesse caso o governo brasileiro) deixe de cumprir a suas obrigações e não pague o titulo na data de vencimento ou não pague algum cupom devido. Esse risco atualmente e considerado muito baixo de acontecer.
- Risco de Inflação
O rendimento real de uma aplicação é o rendimento obtido no investimento descontado a inflação do período da aplicação, existe o risco da inflação ser mais alta do que esperado no inicio da aplicação o que acarreta numa taxa real de retorno menor do que a esperada inicialmente.
- Risco de Liquidez
No caso de um investidor necessitar vender o título antecipadamente existe o risco de não encontrar compradores, ou então encontrar compradores com preços abaixo do valor real do bônus, no caso do tesouro direto esse risco é menor porque o Tesouro Nacional realiza recompras de titulo todas as quartas-feiras, das 9 horas às 5 horas do dia seguinte. Deve-se observar que ao mesmo tempo em que é uma garantia de liquidez também e uma limitação na hora de vender e deve-se levar em consideração na hora do investimento nesse instrumento.
- Risco Político
Apesar de alguns autores de renda fixa não colocarem ele existe, um exemplo seria o questionamento sobre a real independência do Banco Central do país em relação a determinação da taxa de juros básica, se o BC sinalizar que esta relaxando no controle da inflação (abaixando juros num cenário de inflação crescente)
Parte 3 – Análise de Cada Título disponível em relação a conceitos chaves e riscoUtilizarei como premissas:
- O risco de Inadimplência é extremamente baixo e será desconsiderado para todos os títulos.
- Todos os Títulos possuem o risco de resgate antecipado
- Todos os títulos possuem o mesmo risco de liquidez, já que o Tesouro garante a recompra toda quarta feira.
Conceitos Chave: Pré Fixado Riscos: Taxa de Juros, Inflação
É o único título em que realmente se pode ter certeza do rendimento bruto uma vez que possui um fluxo simples (uma aplicação e um resgate) por isso é considerado o titulo mais seguro de todos os disponíveis.
Cenário em que é Recomendado = Taxa de Juros (selic) não irá subir e a inflação estará controlada.
Cenário em que se Evita = É o título que mais sofre com o descontrole da inflação, porque ela destrói o rendimento real do mesmo. No caso de resgate antecipado uma expectativa de subida da Selic para controlar a inflação afunda ainda mais o preço dos títulos no mercado secundário.
NTN-F — Notas do Tesouro Nacional – Série FConceitos Chave: Pré Fixado, Cupom Riscos: Taxa de Juros, Inflação, Reinvestimento
Apesar de também ser considerado pré fixado ele possui um risco a mais do que a LTN que é o risco do reinvestimento dos cupons recebidos a uma taxa de juros menor do que a da época da compra do bônus.
Cenário em que é Recomendado = Taxa de Juros (Selic) não irá subir e a inflação estará controlada.
Cenário em que se Evita = O cenário em que se evita e o mesmo do que a LTN, porém ele é um titulo que sofre menos com a inflação e mais com a taxa de juros do que a Letras do Tesouro.
NTN-B: Notas do Tesouro Nacional – Série BConceitos Chave: Pós Fixado, Cupom, Indexador (IPCA) Riscos: Taxa de Juros, Reinvestimento, Político Cenário em que é Recomendado = Subida da inflação, o investidor nesse caso não se preocupa com o rendimento real, uma vez que o título é indexado a um índice de inflação. Cenário em que se Evita = Perspectiva de queda de inflação, nesse caso os maiores beneficiados são os títulos de renda fixa uma vez que isso sinaliza também uma queda na taxas de juros básica. O risco político existe e nesse caso e muito influenciado em que a relação Selic/Inflação e deixada de lado pelo Banco Central.
NTN-B PrincipalConceitos Chave: Pós Fixado, Cupom, Indexador (IPCA) Riscos: Taxa de Juros, Político Cenário em que é Recomendado = Subida da inflação, o investidor nesse caso não se preocupa com o rendimento real, uma vez que o título é indexado a um índice de inflação. E também um título menos arriscado que a NTN-B série B por não possuir o risco de reinvestimento Cenário em que se Evita = Perspectiva de queda de inflação, nesse caso os maiores beneficiados são os títulos de renda fixa uma vez que isso sinaliza também uma queda na taxas de juros básica. O risco político existe e nesse caso e muito influenciado em que a relação Selic/Inflação e deixada de lado pelo Banco Central.
LFT: Letras Financeiras do TesouroConceitos Chave: Pós Fixado, Indexador (SELIC) Riscos: Taxa de Juros, Inflação, Político Cenário em que é Recomendado = Subida na Selic para controlar uma perspectiva de inflação mais alta, o risco político aqui tem grande influencia, pois um investidor pode acreditar que as taxas de juros vão subir para controlar a inflação e isso pode não acontecer Cenário em que se Evita = Perspectiva de queda na Selic, nesse caso os maiores beneficiados são os títulos de renda fixa. O risco político existe e nesse caso e muito influenciado em que a relação Selic/Inflação e deixada de lado pelo Banco Central.
Parte 4 – Outras Ferramentas de Pesquisa sobre os Títulos- Calculadora do Tesouro Direto – Faz uma simulação do fluxo de caixa do investimento em cada tipo de tíulo, com a opção de simular um resgate antecipado.
- Tabela de Rentabilidade – Taxa de rentabilidade de cada título disponível no dia e informações históricas.
- Preços e taxas dos títulos públicos disponíveis para compra
- Indicadores Econômicos – Lista de todos os índices que servem de Indexadores para os titulos inclusive com projeções de valores para o ano seguinte.
O mercado de franquias brasileiro vem crescendo fortemente há diversos anos. Segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising; http://www.portaldofranchising.com.br), de 2001 até 2010 o faturamento do setor cresceu 304%, atingindo em 2010 aproximadamente 76 bilhões de reais e a evolução do número de redes também cresceu perto de 300%.
Este crescimento, apesar de positivo, em geral pode trazer armadilhas e dor de cabeça para um investidor interessado em abrir um negócio nesse formato. Isto porque o crescimento do setor atraiu a atenção de empresários (aspirantes a franqueadores) que querem uma maneira de expandir rapidamente o seu negócio, mas o problema é que muitas vezes o negócio não está maduro o suficiente para ser franqueado e quem paga o preço é o investidor.
Existem muitas publicações em revistas e na internet sobre esse assunto, com dicas de como evitar esse tipo de problema e o objetivo deste post não é repetir o conteúdo que já tem disponível em outros meios, o tema que eu quero abordar é o uso de uma ferramenta de finanças que pode ser perfeitamente aplicada a uma avaliação de um projeto de abertura de uma franquia. O conceito é conhecido como VPL, ou valor presente líquido.
Na maioria dos casos, para abrir uma franquia é necessário um investimento inicial: Taxa de Franquia, Compra do Ponto Comercial, Compra de Equipamentos e Máquinas, Transporte etc, e também é característica do negócio haver um contrato por tempo determinado – na maioria dos casos é 5 anos, mas pode variar de 3 até 10 anos. Após esse tempo, o contrato pode ou não ser renovado.
Deixando os detalhes do cálculo de lado, a ideia do VPL é a seguinte:
O investidor faz uma projeção do caixa (Lucro Líquido) que a franquia vai gerar durante o tempo de contrato, e esse caixa gerado anualmente é trazido a Valor Presente (VP) descontado por uma taxa de juros apropriada.
Somando todos os valores presentes, temos o que chamamos de Valor Presente dos Fluxos de Caixa. Este valor então é comparado com o investimento inicial para se chegar a uma conclusão se o projeto deve ser levado em frente.
A comparação pode ter 3 resultados:
- O valor presente dos fluxos de caixa pode ser maior que o investimento inicial, neste caso indicando que o projeto deve ser levado adiante.
- Pode ser igual ao investimento inicial, o que significa que é indiferente fazer o projeto.
- Ou o valor presente dos fluxos de caixa pode ser menor que o investimento inicial, o que indica que não vale a pena fazer o projeto.
As características de um contrato de franquia podem fazer o VPL uma ferramenta poderosa na hora de se tomar uma decisão final, como o tempo do contrato é pré-determinado, tira a subjetividade do cálculo da perpetuidade geralmente presente no uso do VPL. Existem outros franqueados os quais você pode obter informações preciosas que te ajudara a estimar com uma boa precisão os fluxos de caixa do projeto, a informação obtida através deste método será mais útil quanto maior for o cuidado com as estimativas futuras colocadas no cálculo.
Geralmente, um investidor que procura franquias analisa várias opções no mercado e o VPL pode ser usado também para comparar projetos de diferentes franquias – pela teoria das finanças, o projeto de maior VPL entre os analisados deve ser o escolhido.
Como descrito acima, o VPL deve ser usado como mais uma ferramenta na hora de decidir, o número encontrado não é um valor exato, ele é obtido a partir de estimativas de crescimento do negócio ao longo dos anos. De maneira nenhuma deve ser usado como única fonte de informação para a decisão final, mas acho que deve ser uma das principais a ser considerada.
Mas de que adianta todo esse texto se eu não mostrar na pratica como ele pode ser aplicado? Mas ao invés de descrever aqui cada etapa decidi montar uma planilha em Excel que pode ser usada para calcular o VPL, ela foi feita em Excel 2007, utiliza macros e conexão com a internet para puxar os dados de taxa dos títulos do governo utilizada no cálculo da taxa de desconto. Tentei explicar todos os itens na planilha, mas em caso de dúvidas não deixe de entrar em contato. DOWNLOAD AQUI
Aproveite e tome decisões financeiras inteligentes !!
Estava olhando alguns livros da minha biblioteca sobre mercado financeiro e achei um livro que li há muito tempo sobre a criação da BM&F (BM&F A história do mercado futuro no Brasil, Alcides Ferreira e Nilton Horita). Folheando o livro, me deparei com a seguinte foto :
A propaganda é de 1988, mas acho que poderia ser usada hoje!!
Mas o que significa o movimento de alta do ouro?
Quando você compra um ativo financeiro (Ações, Obrigações, Divida, etc), você está assumindo em maior ou menor escala um risco de crédito, e as oscilações desses ativos incluem a percepção do mercado sobre um risco maior ou menor de crédito do ativo subjacente.
O ouro é um dos raros ativos considerados monetários que não possui relação de risco de crédito – o seu preço é definido exclusivamente por oferta/demanda. Junto a esta definição, existe a crença de que ouro é fungível e cambiável em qualquer lugar do mundo, o que faz desse ativo uma alternativa em momentos de stress no mercado.
Mas o que tornou o movimento do ouro mais acentuado nessa crise do que em crises anteriores como, por exemplo, a de 2008? Uma combinação de fatores pode explicar esse movimento:
Na crise de 2008, os Países mais afetados tiveram que aumentar a dívida para poder injetar recursos no sistema financeiro a fim de salvá-lo, e junto com esse movimento abaixaram as taxas de juros básicas, principalmente nos EUA onde ficou desde então próxima a 0%.
Ao final da crise de 2008, as taxas reais (ou seja, descontada a inflação) dos Títulos Americanos começaram a cair depois de terem alcançado valores acima de 3,5%. Estas taxas reais 2010 começaram a ficar negativas em 2010 – significa que alguém que investir nesse título, ao receber os juros e descontar a inflação, vai ter perdido poder de compra apesar de o montante nominal ter aumentado.
Passada a crise de 2008, a liquidez mundial começou a tomar fôlego novamente, sendo 2009 um ano de rápida recuperação.
Porém, em 2010, os problemas na Europa começaram a aparecer nos PIIGS, o fluxo de dinheiro que procurava segurança e normalmente ia para as Treasuries americanas precisou encontrar outros ativos de proteção. Euro e Dólar estavam pressionados pelos problemas de dívida dos países, Títulos Americanos estavam dando retornos reais negativos.
Algumas moedas de países emergentes e países equilibrados fiscalmente receberam parte desse fluxo (que evitava a bolsa desses mesmos países por estar procurando segurança), mas o ouro foi o principal ativo encontrado para substituir os antigos portos seguro nos momentos de crise.
Como qualquer ativo, os especuladores aproveitaram o movimento exacerbando a alta. Mas fundamentalmente existe explicação para a tendência que ficou mais forte após anúncio do FED de que deixará os juros baixos mais tempo que o previsto, sinalizando que as taxas reais negativas devem permanecer por mais tempo.
A questão é se o Ouro é realmente um ativo seguro nessas horas, ou é simplesmente o mercado sinalizando que não existem opções melhores no momento ? O tempo respondera …..
Muito se tem falado atualmente, como em toda crise, sobre as ações que estão sendo negociadas abaixo do seu valor patrimonial. A mídia especializada aponta esse fato como um indicador de que certas ações estão baratas, mas o que é verdade e o que é mito nessa historia?
O conceito de que ações negociadas abaixo do valor patrimonial estão baratas existe ha décadas. O valor patrimonial é a medida contábil de quanto vale o patrimônio de uma empresa, e muitos investidores consideram que essa é uma medida mais conservadora e realista do valor real das ações. Apesar de não haver evidências reais, se acredita que se uma empresa for liquidada ela será feita pelo seu valor patrimonial.
Porém, a verdade é que o indicador P/VP por si só não é uma medida confiável, e dois motivos principais se destacam: o valor patrimonial está sujeito a manobras contábeis a fim de manipular o seu real valor – não são raros os casos na historia em que isso aconteceu –e o segundo é que simplesmente o mercado pode estar descontando uma empresa que fez maus investimentos em PL, e que isso representa um risco elevado.
Focando somente no segundo caso, é preciso entender dois conceitos fundamentais por trás do indicador P/VP:O custo e o retorno do patrimônio 1-) ROE é a medida de retorno sobre os investimentos próprios da empresa, é a capacidade de uma empresa gerar valor utilizando os seus próprios recursos e 2) o custo desse capital próprio, resumidamente o custo de oportunidade do patrimônio líquido da empresa.
Empresas que tendem a ter o ROE consistentemente abaixo do custo do patrimônio são negociadas abaixo do seu valor patrimonial. Nesse caso a ação não é necessariamente barata.
Para se aproveitar com mais segurança nesse tipo de situação de mercado, é necessário encontrar descasamentos entre P/VP e a relação de ROE com custo do patrimônio. Resumidamente, é necessário encontrar empresas que apesar de serem capazes de manter constantemente um retorno razoável em relação ao custo do dinheiro, mesmo assim são negociadas a baixos P/VP. Se quiser tornar a análise ainda mais criteriosa, podemos adicionar o risco como um filtro adicional a lista.
Para fazer uma experiência me utilizei do site Fundamentus (www.fundamentus.com.br), um site que descobri há pouco tempo e que é ótimo para fazer pesquisa de ações. Como parâmetro inicial da pesquisa, utilizei um filtro de P/VP que vai de 0 até 0.8 (0.8 é a nota de corte utilizada por investidores que procuram ações negociadas com desconto em relação ao valor patrimonial). Foram encontradas 111 ações na base do site que entram nessa condição.
Agora vamos tentar pensar num filtro sobre a relação ROE x Custo de Capital. A questão aqui é definir o que é o custo de capital, e para simplificar a análise vou pensar em custo de oportunidade para um investidor não profissional.
Nesse caso podemos utilizar o DI-CETIP como a nossa nota de corte para ser o mínimo de retorno esperado (www.andima.com.br), então utilizaremos 12,40% como o mínimo de retorno do ROE como um filtro adicional às 111 ações encontradas acima, e assim a lista cai para impressionantes 15 ações.
Para adaptar um filtro de risco com as possibilidades de pesquisa do site, vou utilizar a relação dívida bruta/patrimônio líquido: essa adaptação é baseada na ideia de que ações com indicadores mais conservadores de liquidez tendem a ser menos voláteis. Para nota de corte utilizaremos ações com essa relação menor que 1, o que quer dizer que a divida bruta não é maior que o patrimônio liquido. A lista final conta com 12 ações.
A questão aqui não é mostrar quais as 12 ações passaram por todos os critérios para que seja utilizada como uma sugestão de investimento. Aidéia principal é mostrar que de uma lista de 111 ações que estavam operando abaixo do valor patrimonial, uma análise mais criteriosa baixou a lista para 12 ações .
Na maioria das vezes, uma ação não opera abaixo do valor patrimonial pura e simplesmente porque o mercado esta irracional. Ela está nesta situação porque existem motivos fundamentais e sólidos para o mercado acreditar que esta ação deve operar com esse desconto devido à sua má administração, ao seu maior risco em relação aos resultados futuros, ou ambos.
Somente olhar o indicador P/VP é arriscado e pode levar a conclusões equivocadas sobre oportunidades de investimento. Uma análise mais profunda e criteriosa é necessária para evitar erros comuns aos investidores não profissionais.
No fim de tudo, encontrar ações nessa situação que sejam realmente uma oportunidade boa de investimento não é tão simples como alguns analistas querem fazer você acreditar sempre que acontece uma crise no mercado.
Fiquem atentos!











